Eis que surge uma boa noticia do mundo selvagem. Uma equipa internacional de cientistas acaba de identificar de uma nova espécie de felino selvagem nas florestas da região de Yungas, na Bolívia. Batizado de Leopardus tilcayo (ou gato-tilcayo), este pequeno felino é a primeira nova espécie do seu género a ser descrita cientificamente em mais de um século. Esta extraordinária noticia foi publicada na prestigiada revista científica Current Biology e esta investigação foi liderado por investigadores da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Brasil), da Universidade de Antuérpia (Bélgica) e pela exploradora da National Geographic, Paola Nogales Ascarrunz.
Apesar da sua natureza selvagem, o Leopardus tilcayo destaca-se pelo seu porte incrivelmente pequen, sendo que este pequeno felino mede cerca de 46 centímetros da cabeça à cauda e pesa apenas 1,4 quilogramas — consideravelmente menos do que a maioria dos nossos gatos domésticos.
Importa referir que a confirmação da nova espécie só foi possível graças a técnicas avançadas de análise genómica em que os cientistas compararam a sequenciação de genomas completos de amostras recentes com material genético de espécimes preservados em museus da Europa e dos Estados Unidos. Esta investigação revelou que o grupo de felinos antes considerado uma única espécie é, na verdade, composto por pelo menos cinco espécies distintas, permitindo também validar formalmente outras quatro (Leopardus guttulus, L. emiliae, L. pardinoides e L. tigrinus) e identificar uma nova subespécie no Peru (L. tigrinus antisuyo).
Um tributo às comunidades locais
O exemplar que serviu de base para a investigação é um macho de dez anos que vive no Santuário de Vida Selvagem de Senda Verde, na Bolívia, acolhido após ter sido entregue por uma família local em 2017. O nome tilcayo foi escolhido precisamente para homenagear as comunidades locais que cuidaram do animal e que já o tratavam por essa designação. Atualmente, ainda não se sabe quantos exemplares de Leopardus tilcayo existem na natureza. Para mapear a sua população, comportamento e necessidades de habitat, a equipa liderada por Paola Nogales Ascarrunz está a instalar armadilhas fotográficas nas florestas de Yungas. A missão é urgente: a região onde o felino habita enfrenta ameaças crescentes devido à desflorestação e à atividade mineira, tornando a conservação deste pequeno felino uma prioridade para os biólogos.



