Um estudo da Univseridade de Évora foi publicado na revista científica Herpetozoa e foi desenvolvido no âmbito do doutoramento de João Rato e do projeto TARTARUGA, financiado pelo Fundo Ambiental e liderado por Filipe Banha. de acordo com o comunicado de imprensa, os investigadores identificaram seis novas espécies de tartarugas de água doce não nativas do território nacional, que se juntam à tartaruga-da-Flórida (‘Trachemys scripta’) e à tartaruga-de-pescoço-listado (‘Mauremys sinensis’), cuja presença no país já era conhecida.
“Os resultados revelam uma diversidade de espécies introduzidas superior à anteriormente reconhecida e reforçam a necessidade de prevenir a libertação de animais de estimação nos ecossistemas naturais”, refere o comunicado.
O estudo baseou-se em trabalhos de campo realizados em 2024 e 2025, durante os quais foram prospetados 39 locais em Portugal.“Os investigadores confirmaram a presença de sete espécies não nativas em sete locais”, indicou a UÉvora.
A tartaruga-da-Flórida foi “a espécie mais frequentemente registada”, mas foram igualmente identificadas a tartaruga-de-pescoço-listado, a tartaruga-mapa-falsa (‘Graptemys pseudogeographica’) e diferentes espécies do género ‘Pseudemys’. “Um dos resultados mais relevantes foi a captura de 12 juvenis de tartaruga-de-pescoço-listado, que poderá indiciar reprodução em meio natural”, e, além disso, foram documentados “os primeiros indícios de comportamento de nidificação da tartaruga-mapa-falsa em Sintra, levantando preocupações quanto à possibilidade de esta espécie vir a estabelecer populações na natureza”.
Os resultados da investigação, observou a UÉvora, “sugerem que a libertação de tartarugas mantidas como animais de estimação, adquiridas por vias legais ou ilegais, constitui uma importante via de introdução destas espécies nos ecossistemas portugueses”.“A sua presença poderá representar riscos para a biodiversidade nativa, embora os impactos ecológicos específicos destas novas espécies introduzidas em Portugal necessitem de investigação adicional”, avisou.
O projeto TARTARUGA tem como objetivo o controlo populacional de tartarugas exóticas em quatro parques naturais do sul de Portugal, contribuindo para a gestão destas espécies e para a conservação da biodiversidade. Os resultados reforçam “a importância de articular o conhecimento científico com ações de monitorização e gestão no terreno, permitindo identificar novas espécies introduzidas e antecipar potenciais problemas ecológicos”, adiantou a universidade.
Segundo Filipe Banha, citado no comunicado, os dados obtidos neste estudo mostram que o problema das tartarugas exóticas em Portugal vai muito além das espécies já conhecidas há mais tempo, podendo a introdução de novas espécies “criar problemas de conservação” ainda desconhecidos.
“É fundamental apostar na prevenção, na sensibilização da população e na monitorização das espécies presentes nos nossos ecossistemas aquáticos”, alertou o investigador da UÉvora.
26 de outubro de 2026 — Por Redação Petfeelings com Lusa



